(teclado obscuro novamente)
Acabei ficando uma noite mais em Sucre por ñ conseguir önibus durante a noite para Uyuny e depois até agradeci ao fato. Uyuny fica no extremo sul da Bolívia, vendo no mapa ou nas reportagens da TV parece fácil chegar aqui, mas a realidade säo dez febris horas em um microbus (que só quebrou uma vez nesta viagem) choacoalhando por uma estrada de areia, rodeada por pedras, llamas e, por veces, cruzando um riacho.
Eu já havia saído de Sucre mal. O tal do mal da Bolívia, também com sua versäo peruana, me acometeu por algum descuido. Ainda ñ sei se o que me fez tirar dois dias de descanso no hostel com febre, dor de cabeca e diarréia foi um suco de morango, em Potosí, ou um pëssego comprado e comido na rua, em La Paz.
O fato é que ñ há nada para fazer em Uyuny a ñ ser embarcar para um tour de trës dias pelo Salar. Estes dias estavam sendo necessários para repör as energias e continuar a viagem, que já bateram 20 dias.
Logo que cheguei, buscando por um hostel barato com a mochila nas costas, fui abordado por Tito, um dono de uma empresa de tours, que acabou me servindo de guia até a casa de cämbio, até a farmácia e novamente até a porta do hostel.
Um tipo sorridente e prestativo. A energia estava por acabar na cidade (só voltou há poucas horas, quase dois dias sem luz), fato comum por aqui, segundo ele. Quando contei da esbórnia de minha viagem, ele gargalhou e disse "Eso és Bolívia!". Simpático, o Tito.
Eu paro para pensar e observar por trás dos véus de preconceito com o qual baixam aqui aqueles de países melhores estabelecidos nos altares econömicos do nosso senhor capitalismo, e percebo a Bolívia como um Brasil dos anos 1980, comeco dos 90.
Tudo é ainda bastante precário. Falta luz por alguns dias em alguns lugares. A refrigeracäo de alimentos para venda é um luxo dos supermercados de Santa Cruz (isso inclui carnes e iogurtes), mas as coisas estäo mudando.
Na estrada, mesmo que empoeirada, vë -se obras por todos os lados. A telefonia já tem cobertura em todo o país (o celular é uma febre), com quatro operadoras, sendo trës privadas. Os motoristas de önibus ainda dirigem bëbados, mas a lei acaba de mudar com punicöes mais severas e polícia com bafömetros na saída dos embarques.
Passada a tempestade, amanhä cedo embarco - possivelmente em um jipe repleto de gringos europeus - para trës dias girando o deserto e sábado, uma nova aventura rumo a Tupiza, para um último adeus a Bolívia.
Já apresento sinais de saudade do feijäo com banana, jogo do Corinthians e cerveja no Torto em pleno dia de semana. Já tenho uma expectativa de data marcada, a depender de quanta plata ahorro até entrar na Argentina.
Stay in touch. Respondam meus e-mails, pra quem eu mandei.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
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aê.. te falei que não valia muito a pena planejar demais esta viagem. Nunca vale. Só lamento que não pude me auto-convidar para ir junto. To com saudades de vc, seu cara suja.
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