quinta-feira, 11 de março de 2010

Vuelvo al Sur

Vinte, mais três de barco, três ida, três volta...mais essa última..CENTO E CINCO, disse em voz alta, para o espanto da garota que aguardava na poltrona ao lado, na sala de embarque do aeroporto de Buenos Aires.
Foram cento e cinco horas de viagem, incontáveis quilômetros, inúmeras pessoas e interrogações como Te gusta Evo? Y este tipo ahí, Piñera, que tal? La Quilmes de litro, cuanto vale?

Quando saí daqui com uma mochila nas costas e um sorriso na cara, não imaginava o tanto de contrastes, colores e sorrisos que me esperavam nas bordas daqueles picos nevados, no fundo daqueles vales ou no meio daqueles desertos.

Desde Chicho, o traficante bolivariano, até Fernando, o tupi que não gostava de aymarás, a Bolívia se levanta como uma nação multicultural, ainda com muito a consertar nas suas entranhas.
A Argentina, com seu estranho hábito de comer até arroz com pão, continua ali, com a mesma habilidade para escolher presidentes, vinhos baratos e gente calorosa
O Chile, ah o Chile, algo tinha de errado, morenas de olhos puxados, cidades organizadas..o chão treme por lá, mas que tenham força para se levantar.

Na hora que baixei a mochila na calçada da indefectível Nestor de Castro, com seus ônibus e dedos amarelos, percebi que mesmo quando se desbrava e conhece lugares distantes e incríveis, nunca se mata o sentimento de pertencer a alguma terra. Sou daqui, mas vou por aí.

Ao ver gente trabalhando pelas ruas, barulho de trânsito, gente simpática (e também grosseira) em um lindo caos ensolarado e chuvoso no verão, começa a se ter certeza: estou na América Latina, estou no Brasil, estou em casa.



Meus nem tão calorosos agradecimentos a quem seguiu a trip por aqui. A ideia era fazer semi-reportagens, o que acabou desandando bem rápido, dada minha preguiça e curto talento para a arte da escrita.
Guarde seu suado dinheiro e vá conhecer o mundo. É do tamanho que você imagina.

Pense positivo hoje