Nos despedimos todos na rodoviária, uns para um lado, outros para outro.
Embarquei às 21h rumo à Cochabamba, uma viagem de umas dez horas. Sentei confortavelmente no meu banco, apertei o botäozinho para reclinar e pimba! O botäo estava travado. A cada vez que o ônibus acelerava, eu deitava. Se freiava, 90 graus.
Näo consegui acreditar naminha falta de sorte com ônibus. Fui até a cabine do motorista:
- Permiso, señor. Mi asiento está rompido
- No, no, no
- ¿Cómo? No compreendí
- No, no, no, meneou o hijoputa mais de três vezes.
O fato é que poucas pessoas, principalmente do comércio, säo o que poderíamos chamar de cordiais com extranjeros. Você entra, compra, paga e eles te däo o troco. Näo se troca uma palavra.
Bajé por Cochabamba às sete da matina. Tomei um táxi até o Residenciales que deveria ficar. Näo havia vagas. Somente um quarto para duas pessoas com baño provado, a 80Bs. Isso é realmente caro, em média se paga 20 a 40Bs por um quarto.
Foi difícil näo chorar. Caia uma chuva e estava muito frio. Eu desci do ônibus de chinelo e moletom, sem tomar banho a um dia e usando a mesma camiseta a três. Vendo minha cara de desespero o cara do hostel me quebrou um galho e me fez 50Bs por aquele quarto. Tendo em vista que 40 era o preco do individual sem banheiro, muy bueno. (pena ñ ter mochileiros hospedados ali, acabei rodando a cidade solito)
Quando subi ao quarto meu coracäo parou. Chuveiro quente. Chuveiro quente.
A água é um problema gravíssimo na Bolívia. Foi aqui em Cochabamba que, em 2000, uma verdadeira guerra se instalou nas ruas. A populacäo de um dos países mais pobres da América Latina foi às ruas quebrando tudo e enfrentando a polícia, na chamada Guerra da Água.
Em 1999, o governo boliviano tomou um empréstimo milionário do Banco Mundial, paraexpansäo do sistema de água, sob a condicäo de que este fosse privatizado após as obras.
Em uma licitacäo de um concorrente só, a californiana Bechtel arrendou a distribuicäo e tratamento das águas de Cochabamba e aumentou os precos em até 200%. A populacäo foi às ruas, quase destruiu Cochabamba inteira e conseguiu reverter o processo de privatizacäo.
Muitos hostels cobram pelo banho quente. Em cidades mais pobres, se querés tomar mais de um banho al día, tem que pagar.
Assim como Santa Cruz, em Cochabamba ñ há muito o que ver, alémn de um Cristo (maior que o carioca), onde se sobe te teleférico e dá de cara com uma pintura no muro "Perigo: Evite ser vítima de deliquentes, näo desca pelas escadas". Ok, conselho seguido, até porque o tal do soroche (mal de altitude) me deixou cansado. Duzentos metros pareciam dois quilômetros, mas passou rápido, sem problemas.
Dos pés do Cristo a vista é linda. Cochabamba fica no meio de um vale, com montanhas altíssimas, enfim, os Andes.
A Feria de la Cancha é um mundo à parte. Botei a mochila nas costas e com meu ridículo senso de direcäo, rodei em círculos até achar aquela profusäo de cores, aromas (nunca bons) e gente. Écomo uma 25 de marco do terceiro mundo.
Lá se vende desde implante de trancas, dvds piratas, frutas e celulares, até frango à céu aberto, cortado ali mesmo, com as mäos.
Botar a mäo na comida é um costume local. Os indígenas sempre carregam um saquinho com arroz e frango. No ônibus ñ têm dúvida, abrem a sacolinha e mandam com a mäo para dentro, passando para o próximo da família.
Devo cair para La Paz amanhä mesmo. Saio do quarto, deixo as mochilas na recepcäo e volto para pegar no fim da tarde. Dá tempo de aproveitar o Centro Histórico,que estava fechado hoje e pegar o ônibus no final de tarde, chegando pela manhä na capital e, aí sim, sofrer com o soroche.
domingo, 24 de janeiro de 2010
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Porra, que bom que tá na Bolívia. Falei que não ia comentar nesse blog com nome de pirulito, mas fiquei um pouco preocupado achando que já estava no Peru, ilhado. Não vi foto das lhamas...
ResponderExcluirBeijo