Se ñ pegamos o trem da morte, fizemos uma longa viagem no seu similar de rodas.
O bumba partiu cheio, muita criança chorando, uma previsäo de 17h de viagem e nenhum banheiro.
Eu comecei super positivo, a estrada era boa, o visual de pôr-do-sol era lindo e, apesar de ñ ter ar condicionado, poltronas reclináveis, luz de leitura e apoio para os pés; as janelas abriam bastante.
Ficamos eu e o Marco, um paulistano estudante de filosofia que viajava com uma mala menor que minha mochila de ir para o colégio e ñ tinha levado meias, tampouco pasta de dentes. No máximo duas horas de viagem e já fizemos nossa primeira parada.
"Hora daquela mijada", pensei.
- Pätz, quebrou o ônibus, disse Marco
- Relaxa e aproveita o visual, retruquei positivo como a Madre Teresa
De repente uma fumaça branca começa a tomar conta do interior do ônibus e todo mundo se protege como pode. O motorista e algum metido a ajudante abriram a tampa do motor e começaram a acelerar para que alguma peça voltasse a fazer o que deveria.
Descemos do önibus esticar as pernas e o Marco fumar um cigarro.
- Puta merda, isso é fita crepe?, perguntei eu quando ouvi o barulho tìpico.
- É. Puta que pariu, riu Marco.
- Pergunta là que pása?
- Que pása señor?
- No pasa nada
Depois de mais alguns minutos volvemos ao ônibus, antes de mais quatro paradas como essa.
Nem eu sei como, mas mantive o bom humor e paciência até a décima segunda hora de viagem.
Paramos para jantar, o céu estava incrível, quase ñ tem poluiçäo luminosa, ao contrário do Brasil, aqui se viaja muitas horas sem ver nada nas margens da estrada, nem um casebre de fazenda, nem cidade. Os bois estäo sempre ali, na porteira, esperando alguém abrir e o önibus frear, mas luzes, nada.
Nossa cena foi arroz, macarräo, batatas fritas caseiras e salada de tomate. Näo se usava talher, com as mäos devidamente protegidas por luvas cirúrgicas, as mulheres arremessavam bocados disso e daquilo no seu prato.
Mais umas cinco horas de viagem, eu acordado e Marco desperta assustado. "Onde a gente tà? Que isso?"
- Acabou a estrada, cara
- Como assim acabou a estrada?
- Pô sei lá, tinha uma cerca de madeira no meio da estrada e aí a gente entrou nesse desvio aqui.
Dez minutos após a explicaçäo, nova parada para fita crepe.
De tudo o que posso dizer dessa viagem é que eu estava errado. Deus existe, ele é forte e salava. Pensei muito nisso qdo nosso ônibus choacoalhava em uma estrada de terra, a poucos metros de um buraco imenso onde estavam fundando uma ponte. Eu rezei muito e estou aqui.
Chegamos em Santa Cruz às 9h da matina, pegamos um táxi até a praça principal e achamos um hostel barato e aconchegante, apesar de ñ ter ventilador...o que faz muita diferença aqui.
Santa Cruz é uma cidade rica, com um centro histórico, prédios do governo e pichaçöes de "Evo Asesino Instucional" por todos os lado e bandeiras verde e brancas nas portas dos edifícios.
Ñ há muito o que se ver por aqui. É um ponto de conexäo.
Amanhä sigo para Cochabamba me aclimatar com a altitude e seguir para La Paz.
Ariel e Luis seguem para Trinidad, onde continuam sua viagem para cruzar a Amèrica do Sul por rios, do Prata atè o Orinoco e o Marco deve comprar umas meias e partir para Sucre.
Amanhä é un nuevo dia, por ora vou andar atrás de algo para comer, sem pollo.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
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tão muito bons os detalhes da viagem pela américa do sul...
ResponderExcluirPo vizinho, o primeiro perrengue e tu já abre as pernas pra providência divina? Desse jeito tu vai voltar pregando a palavra! hahahahahaha
ResponderExcluiruahiauhaiuahaiuh
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