Embarquei rumo a Mendonza depois de uma noite arregada, com uma mesa farta de saladas coloridas preparadas por um francês, professor de tango e cozinheiro de mäo cheia nas horas vagas.
Depois de muita quinua, albahaca e berenjena com zapillito, é claro, rolou uma aula de tango.
É uma das coisas mais difíceis e legais de se faezr que existe na Argentina - só ñ é mais difícil do que conseguir um café decente, forte - exige concentraçäo, equilíbrio, atitude. "Ñ finge que vai, vai e leva a dama junto". Até que enfim achei uma dança opnde posso expressar meu fogo latino. Quando voltar a Curitiba, vou ter aulas de tango.
Minha sorte para ônibus continua a mesma. Embarquei em um semi-cama täo grande que minhas pernas ñ alcançavam a poltrona da frente. Café com alfajorzinho, filme dublado e um bingo! Me faltaram três números para aquela garrafa de Malbec, mas isso ñ me chatearia mais do que o argentino enorme que sentou ao meu lado a partir de Catamar.ç
Sou um fodido. Viajo no maior ônibus da minha vida e, justo ali, senta o maior cara que já vi na Argentina, me ocupando meia poltrona e algumas horas de sono. Boludo que sois.
Um pouco de jornalismo
Domingo é dia de jornal. Após uma busca infrutífera por um café, pulando canais por aí
(Curiosidade do dia: Mendoza é um deserto que fica pròximo a picos nevados. Para resolver o problema com a água, existem canais espalhados por todas as ruas da cidade. É como o nosso meio fio, mais com um metro de profundidade, por onde corre um pequeno rio nessa época do ano. A água vai escoando pela cidade toda, sendo guiada por pequenas comportas e acaba nas vinícolas de Malbec e Syrah da regiäo. Me disseram que näo, ninguém se machuca com frequência caindo ali)
encontrei uma ediçäo do local Los Andes. O suplemento de cultura falava da explosäo das bandas de klezmer na Argentina. É um ritmo balcânico, com tuba, clarinete e dança. O pioneiro da coisa, Emir Kusturica, vive na Argentina agora e algumas bandas locais como Simja Dujov & The Strudel Klezmer Band, chamado de "Manu Chao judío", de Córdoba, Segundo Mundo e Zíngaros, de Buenos Aires, já pipocam por aqui.
Outras manchetes säo a eterna disputa das Malvinas. A Inglaterra está trazendo uma plataforma privada de exploraçäo de petróleo para cá e Kristina ficou chateada. As Malvinas säo, em teoria, território ocupado pela Inglaterra, mas, em se tratando de uam ilha na plataforma oceânica, todo o mar que a cerca, é argentino.
As Malvinas fazem parte de uma história triste para os hermanos. Já ao fim da ditadura, o governo argentino resolveu que queria de volta, se meteu em uma guerra sem nenhuma chance de vitória, matou alguns milhöes de jovens a serviço de nada e tudo o que sobrou disso foi um rancor com o Chile, o único país da regiäo a autorizar o pouso de aviöes ingleses para bombardear as Malvinas.
A eleiçäo de Dilma no congresso do PT também fez barulho por aqui. A "dama de hierro", é descrita como de temperamento forte, a segunda pessoa mais poderosa no país e tem seu passado guerrilheiro questionado. Dizem que ela fazia parte, foi torturada, mas nunca meteu bala em ninguém.
Já gosto de fernet. É uma bebida destilada feita com ervas, tem gosto de Composto Catarinense, mas depois do segundo copo vai que é uma beleza. Tomamos um monte desse durante um churrasco que subvertemos a ter um especial para vegetarianos no Hostel.
Amanhä me arranco ao Chile, com alguns vinhos na mala, um montäo de novos amigos europeus que conhecem Foz do Iguaçu e uma simpatia especial pelos argentinos, um povo caloroso, com traços italianos que me lembram minha família.
Passagem de volta marcada, coloque cerveja para gelar e responda meus e-mails
domingo, 21 de fevereiro de 2010
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Esperamos ansiosos. Se demorar muito, tomo toda a cerveja gelada hehehe.
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