Após dias de rei em Uyuny , me recuperei quase que por completo e tomei o jipe rumo ao Salar de Uyuny. No meu grupo, duas chilenas de Valparaíso, dois chilenos de Santiago e uma alemä que vive em Guayaquil, no Ecuador. Excelente companhia multicultural.
O deserto é lindo, seguramente uma das paisagens mais bonitas que já vi na vida. Como é época de chuvas, um espelho d´água infinito se estendia , refletindo o azul do céu. Pura psicodelia.
A agência que escolhi pode ter deixad um pouco a desejar. Escolhi porque diziam "opción veggie" no menu dos almoços e jantares, mas ñ sabia que ovo frito mole era a opçäo. Se tem uma coisa que realmente me maltrata o espírito é ovo, seja lá de que forma ele apareça no prato.
Visitamos o Salar, lagunas coloridas, desertos de pedra que, se ñ fosse um teoria täo estúpida, eu juraria que eles passam a máquina pra deixar tudo retinho. Comemos muita, mas muita poeira, passamos um dia sem banho e volvemos a Uyuny. Quebrados porém satisfeitos.
Quando voltei para a cidade já me atrapei em uma confusäo com os planos de viagem. Ficar mais duas noites esperando o trem seria uma tortura. Passar uma noite em um ônibus em condiçöes suspeitas, em uma estrada de status equivalente, seria uma aventura.
Resolvi meter o pé da Bolívia e tomei o bonde para Villazón, fronteira Bolívia-Argentina.
A estrada até lá incluía um micro-ônibus cheio de gringos em uma estrada que tremia tanto, que fiquei com medo de que um dos vidros se rompesse e um dos alargadores me caiu da orelha (precisa de um esforço ou sobrehumano ou feminino para fazer isso)
Trocamos de carro em Tupiza, agora para uma estrada em melhores condiçöes, em meio aos cânyons que têm por ali e chegamos 11 horas depois ao destino. Sem hesitar, me coloquei a caminhar até a fronteira, troquei dinheiro a um câmbio ruinzinho e peguei outro ônibus, já em La Quiaca, na Argentina, rumo a Humauaca, um poblado ao norte.
O que ñ contava é que Humauaca é a Camboriú dos argentinos que ñ saem da Argentina. É carnaval e, por toda a cidade, se amontoa gente bêbada apontando sua orelha ou arremessando balöes d´água nas turistas.As hospedagens estäo todas lotadas ou ao triplo do preço normal.
Encontrei um casal de porteños apaixonados durante a busca. Lucía e Julián, ñ devem passar dos 19 anos e ardem de paixäo, aquela que te deixa ou constrangido ou deprimido por ñ ter alguém para chamar de mi amor ou corazón a cada cinquenta segundos
Conseguimos encontrar um quarto onde, por 20 pesos (já sinto a dor dos preços daqui), nos deixaram esticar os sacos de dormir em cima do nada. Ao menos trouxe meu travesseirinho inflável, presente de uma ex-sogra à minha cervical.
Mañana por la mañana me vou aTilcara, outra ciudadela aqui próxima. A ideia é passar uma noite em cada vilarejo, sendo cinco, terminnado em Cafayate, onde subo a um ônibus até Mendoza (ou Córdoba), de onde sigo até o Chile...ou seria para Buenos Aires, de onde sigo a Montevidéo tomar um aviäo? Lo que sea.. fato é que sim, eu tenho uma vida no Brasil, e ela tem até o começo de março para começar de novo.
Coloque mais água no seu feijäo, estou chegando.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
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