terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nas areias de Copacabana

Arranho em tinta a décima segunda página da agenda de viagem. Rumo â Copacabana em um önibus em condiçöes suspeitas.
A viagem é relinda, o Titicaca é um dos maiores lagos do mundo (ñ esqueçamos do Nesse e do Michigan) e o mais alto. Fica a uns 3.900m, o que te faz cansar até para falar.

Viajar sozinho näo significa viajar sozinho. Na ida para Copacabana todo mundo desce do micro, ele passa em uma balsa e os passageiros got a shake em um barquinho por cinco minutos.
Ali conheci Milagros, Camila, Lucía e Gaspar. Porteños da gema, indo para a Isla del Sol, que até entäo eu ignorava a existência. Papo vai e vem, nos quedamos amigos e procuramos juntos o pior hotel da cidade.
Meu quarto de Bs15 fedia galinha molhada - o que me animou a deixar escrito na parede "Este quarto fede bgalinha molhada", em três línguas, para que ficasse dado o recado - e o banheiro ñ era lá o do Copacabana Palace, mas com o tempo a gente vai perdendo a noçäo de higiene e se espanta qdo tem guardanapo na mesa do bar.

Säo doze dias de viagem e acho que aprendi mais sobre a Argentina do que sobre a Bolívia. Gaspar faz parte de um partido de extrema-esquerda-per-no-mucho, um análogo do PSol. Sentado ali vendo o lago (maior que o Paranazäo), comendo päo com palta e tomate, me explicava que o Peronismo foi o que atrasou a Argentina e que näo existem pequenos agricultores por lá: ou se planta muito, ou se trabalha para quem planta muito.

 noite combinamos de subir o mirador que tem na cidade. Copacabana ñ tem muito a oferecer: uma igreja com entalhes de incas carregando uma N.Sra de sei lá o que, como se estivessem refelices por serem brutalmente catequizados e saqueados e um mirador, de onde se vê os picos nevados do Andes.

Minutos antes de irmos para a calle, uma chuva de granizo começou a cair e ñ parou mais, uma meia hora suficiente para deixar tudo branco como neve e nos deixar na janela arremessando pelotas de gelo no hotel da frente.

Pela manhä, assim que a outra chuva passou, embarcamos para a Isla del Sol, no coraçäo do mal tratado Titicaca.

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