Sobre meninas e llamas
Quando cheguei a Santa Cruz, um dos compas de viagem me aconselhou: "Aproveita para ver as mulheres bonitas aqui, porque daqui pra baixo a coisa fica feia, literalmente"
Mentira dele, à parte das argentinas de calça saruél e cabelos embaraçados (o padräo de mulher argentina na Bolívia) e as gringas vermnelhas hecho camarón, as bolivianas säo muito vaidosas, sempre maquiadas e com os cabelos arrumados.
Uma beleza exótica, eu diria. Traços indígenas se mesclam com olhos castanho claros e um sorriso bonito.
Os argentinos piramk em mulher brasileira. Dizem que as argentinas, além de serem frescas, ñ tem curvas, o que justificaria a calça saruél all the time.
Va benne, ou a Bolívia tá legal para chicas, ou meu conceito de beleza feminina anda descalibrado.
Sobre perrengues e a vida
Agustina, uma porteña de 32 anos, designer, foi minha companheira de caminhadas por La Paz nos dois últimos dias por ali. Além de me ensinar algumas gírias em español, me fez refletir sobre a vida, sentados numa mureta vendo a Feria de las Alasitas.
*Adendum: A Feria das Alasitas é uma mega feira paceña que vende de tudo em miniatura, desde as Alasitas, que säo bonecos de cerâmica, onde se pendura tudo o que se quer ter (carros, casa, viagem, comida), até sofás, chaleiras e etceteras.
Falávamos sobre os caminhos da vida. Ela separou do namorado de muitos anos porque um lindo dia descobriu que o sonho de ter filhos era dele e ñ dela e que ela faria por ele. Not good. Voltou a morar com os pais e se sente um pouco aflita por trabalhar de freela e só ter comprado para si um computador.
Minha história é parecida, mas eu comprei uma bicicleta. Filho nenhum no mundo substitui uma bicicleta.
Agustina voltou na noite seguinte, pensando em comprar uma magrela.
Eu saí do Brasil com muito medo de "encontrar a mim mesmo" durante um dia de solidäo e paisagem bonita. A única coisa em que penso nesses momentos é se devo seguir de Potosí a Sucre ou de Potosí a Uyuny. Acho que acabei encontrando um cara que sacou o lado bom da vida.
Marco, o brasileiro que conheci em Quijarro, aportou por La Paz no dia em que eu partiria. Além de ñ trazer meias, capa de chuva, cobertor, protetor solar e pasta de dentes, achou que ñ precisava desbloquear o cartäo para sacar grana fora do país. Transferiu o dinheiro para minha conta e eu saquei a uma cotaçäo um pouco menor. Ficou achando que o roubei e foi com seiscentos mangos para Lima ver a namoradinha. Ñ faço idéia de como ele pretende voltar para casa.
Eu lembrei de trazer tudo, menos o cabo da máquina e um pen drive, que devem ter ficado sobre a mesa de casa. Consegui comprar um. O canivete suíço que estava quebrando o galho na abertura de latas, corte de maçäs e afins, foi dado como morto após uma intensa busca em todas as malas. Creio que ficou na mesa do hostel depois de ter aberto o vinho boliviano que me deixou com dor de cabeça. Foi em paz, mas vai fazer falta.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
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legal seu blog! e suas aventuras de viagem.... :)
ResponderExcluirentão você encontrou um cara legal que te faz companhia nos momentos de solidão e veste as mesmas botas que você!?! que bom
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluire as llamas? sei que tu não se parece com um cara machista, mas me parece que as llamas foram associadas as meninas, já que nem participaram do relato. ou eu não entendi alguma coisa..
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